Valor da Citrulinémia na Avaliação da Função Intestinal na Síndroma do Intestino Curto

  • Beatriz Pinto Costa de Almeida Clínica Universitária de Cirurgia III da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e Serviço de Cirurgia III dos Hospitais da Universidade de Coimbra, E.P.E., Portugal
  • Marco Serôdio Serviço de Cirurgia III dos Hospitais da Universidade de Coimbra, E.P.E., Portugal
  • Marta Simões Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, Portugal
  • Carla Veríssimo Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, Portugal
  • Manuela Grazina Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, Portugal
  • F. Castro Sousa Clínica Universitária de Cirurgia III da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e Serviço de Cirurgia III dos Hospitais da Universidade de Coimbra, E.P.E., Portugal

Resumo

Introdução: Diversos estudos sugerem que a citrulinémia pode constituir um parâmetro objectivo e reprodutível da massa enterocitária funcionante.

Objectivos: Analisar o valor da citrulinémia na avaliação da função intestinal na síndroma do intestino curto.

Material e métodos: Realizou-se um estudo caso-controlo, incluindo 11 doentes com síndroma do intestino curto, resultante de enterectomia extensa e 11 indivíduos controlo. As concentrações plasmáticas de aminoácidos foram determinadas por cromatografia de troca iónica.

Resultados: Seis doentes apresentavam uma síndroma do tipo III, cinco encontravam-se na fase de manutenção e nove possuíam autonomia nutricional; a extensão média do intestino delgado restante foi de 87,5±48,2 (30-190) cm. A citrulinémia foi mais reduzida nos pacientes com síndroma do intestino curto (28,6±11,3 versus 32,2±6,6; n.s.), atingindo valores inferiores a 24 μmol/L em 45,5% dos casos (versus 9,1%; p=0,056; sensibilidade=46%; especificidade=91%; acuidade=68%). A citrulinémia correlacionou-se de forma estatisticamente significativa com a fase evolutiva (coeficiente de Pearson=70,2%; p=0,016) mas não com os parâmetros de avaliação nutricional e de impedância bio-eléctrica; foi inferior nos casos sem autonomia nutricional e de tipo I.

Conclusão: A presente análise sugere que a citrulinémia, embora susceptível de interferências clínicas e analíticas, pode ser útil na definição do prognóstico e monitorização da síndroma do intestino curto.

Palavras chave: Citrulinémia, função intestinal, síndroma do intestino curto, ornitinémia.

Abreviaturas: I.M.C.: Índice de massa corporal; aaR.O.C.: área abaixo da “receiver operating characteristic curve”; IC 95%: Intervalos de confiança 95%; n.s.: estatisticamente não significativo; P5C: Pirrolidina-5-carboxilato 

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Publicado
2012-03-30
Como Citar
COSTA DE ALMEIDA, Beatriz Pinto et al. Valor da Citrulinémia na Avaliação da Função Intestinal na Síndroma do Intestino Curto. Revista Portuguesa de Cirurgia, [S.l.], n. 20, p. 9-19, mar. 2012. ISSN 2183-1165. Disponível em: <https://revista.spcir.com/index.php/spcir/article/view/51>. Acesso em: 26 june 2022.
Secção
Artigos Originais