ILEOSTOMIA DE PROTEÇÃO NA CIRURGIA ONCOLÓGICA DO RETO: A EXPERIÊNCIA DE UM CENTRO DE REFERÊNCIA

  • Telma Fonseca Serviço Cirurgia Geral, Centro Hospitalar Universitário São João, Porto, Portugal http://orcid.org/0000-0001-9190-0327
  • Elisabete Campos Serviço Cirurgia Geral, Centro Hospitalar Universitário São João; Faculdade Medicina Universidade do Porto, Porto, Portugal
  • Maria Manuel Castro Enfermeira Estomaterapeuta, Centro Hospitalar Universitário São João, Porto, Porugal
  • Susana Costa Enfermeira Estomaterapeuta, Centro Hospitalar Universitário São João, Porto, Porugal
  • Ana Azevedo Serviço Cirurgia Geral, Centro Hospitalar Universitário São João; Serviço Cirurgia Geral, Hospital da Luz – Arrábida, Portugal
  • Elisabete Barbosa Serviço Cirurgia Geral, Centro Hospitalar Universitário São João; Faculdade Medicina Universidade do Porto, Porto, Portugal

Resumo

Introdução: Na cirurgia do reto, a ileostomia de proteção é frequentemente realizada para minimizar o impacto da deiscência anastomótica. Apesar da intenção temporária, uma significativa proporção de estomas tornam-se permanentes. O objetivo deste trabalho é determinar quais os fatores associados a uma menor probabilidade de encerramento da ileostomia de proteção após cirurgia de resseção de reto.


Métodos: Foi realizado um estudo observacional, retrospetivo e unicêntrico, tendo sido revistos os dados clínicos dos doentes com o diagnóstico primário de cancro do reto e que foram submetidos a cirurgia eletiva de resseção com ileostomia de proteção entre 2008 e 2019. Foram avaliados os fatores de risco para não encerramento do estoma temporário nestes doentes.


Resultados: Foram incluídos 201 doentes, dos quais 168 (83,58%) foram reconstruídos, com um tempo médio de espera até à reconstrução de 7,92 meses. Não foram reconstruídos 33 doentes, sendo que 10 (4,97%) faleceram antes dos 12 meses de pós-operatório, 1 doente (0,5%) recusou a reconstrução de trânsito e 3 doentes (1,49%) aguardam estudo endoscópico para agendamento da reconstrução. Ao excluir estes doentes, apenas dezanove doentes (9,45%) ficaram com estomas permanentes (ileostomias n=16, reversão em colostomia terminal definitiva n=3).


Conclusão: Os fatores de risco independentes para o não encerramento da ileostomia de proteção foram: tumores do reto localizados mais perto da margem anal (<=7 cm), presença de metástases síncronas e a presença de recidiva local. Outros fatores que contribuíram para o não encerramento da ileostomia foram a realização de quimioterapia adjuvante e a presença de complicações na anastomose colo-retal. Doentes com estes fatores de risco devem ser advertidos para a possibilidade do não encerramento da ileostomia.

Downloads

Dados de Download não estão ainda disponíveis.

Biografias Autor

Elisabete Campos, Serviço Cirurgia Geral, Centro Hospitalar Universitário São João; Faculdade Medicina Universidade do Porto, Porto, Portugal
 

 

Ana Azevedo, Serviço Cirurgia Geral, Centro Hospitalar Universitário São João; Serviço Cirurgia Geral, Hospital da Luz – Arrábida, Portugal
 
Elisabete Barbosa, Serviço Cirurgia Geral, Centro Hospitalar Universitário São João; Faculdade Medicina Universidade do Porto, Porto, Portugal
 

Referências

1. Bray F, Ferlay J, Soerjomataram I, et al. Global cancer statistics 2018: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA Cancer J Clin. 68:394–424, 2018.

2. Prashanth Rawla, Tagore Sunkara, Adam Barsouk. Epidemiology of colorectal cancer: incidence, mortality, survival, and risk factors. Prz Gastroenterol. 2019;14(2):89-103.

3. Simon Näverlo, Karin Strigård, Ulf Gunnarsson. Long distance to hospital is not a risk factor for non-reversal. International Journal of Colorectal Disease. 34:993–1000, 2019.

4. Montedori A, Cirocchi R, Farinella E, Sciannameo F, Abraha I. Covering ileo- or colostomy in anterior resection for rectal carcinoma (Review). Cochrane Database of Systematic Reviews. Issue 5. Art. No.: CD006878, 2010.

5. A. J. Kuryba, N. A. Scott, J. Hill, J. H. van der Meulen and K. Walker. Determinants of stoma reversal in rectal cancer patients who had an anterior resection between 2009 and 2012 in the English National Health Service. Colorectal Disease. 2016.

6. Peter Matthiessen, Olof Hallbook, Jorgen Rutegård, Goran Simert, Rune Sjodahl. Defunctioning Stoma Reduces Symptomatic Anastomotic Leakage After Low Anterior Resection of the Rectum for Cancer. Annals of Surgery. 2007, Vol. Volume 246, Number 2.

7. Carl Pontus Gustafsson, Ulf Gunnarsson, Ursula Dahlstrand, Ulrik Lindforss. Loop-ileostomy reversal—patient-related characteristics influencing time to closure. International Journal of Colorectal Disease. 2018.

8. Chul Min Lee, Jung Wook Huh, Yoon Ah Park, Yong Beom Cho, Hee Cheol Kim, Seong Hyeon Yun, Woo Yong Lee, Ho-Kyung Chun. Risk Factors of Permanent Stomas in Patients with Rectal Cancer after Low Anterior Resection with Temporary Stomas. Yonsei Med J. 2015, Vols. 56(2):447-453.

9. Xin Zhou, Bingyan Wang, Fei Li, Jilian Wang, Wei Fu. Risk Factors Associated With Nonclosure of Defunctioning Stomas After Sphincter-Preserving Low Anterior Resection of Rectal Cancer: A Meta-Analysis. Dis Colon Rectum. 2017, Vols. 60: 544–554.

10. Rodrigo Oom, Rita Barroca, Francisca Rebelo, Ricardo Nogueira, Luís D’Orey Manoel, Manuel Limbert, Nuno Abecasis. Estomas de proteção na cirurgia do reto — fatores de risco para o não encerramento. Revista portuguesa de coloproctologia. MAIO/OUT 2017.

11. Åkesson O, Syk I, Lindmark G, Buchwald P. Morbidity related to defunctioning loop ileostomy in low anterior resection. Int J Color Dis. 27(12):1619–1623, 2012.

12. Yin TC, Tsai HL, Yang PF, Su WC, Ma CJ, Huang CW, Huang MY, Huang CM, Wang JY. Early closure of defunctioning stoma increases complications related to stoma closure after concurrent chemoradiotherapy and low anterior resection in patients with rectal cancer. World J Surg Oncol. 15(1):80, 2017.

13. Pan HD, Peng YF, Wang L, Li M, Yao YF, Zhao J, Zhan TC, Gu J. Risk factors for nonclosure of a temporary Defunctioning ileostomy following anterior resection of rectal Cancer. Dis Colon Rectum. 59(2):94–100, 2016.

14. Alkhamis, Ahmed A. Aljorfi and Abdulhameed H. A Systematic Review of Early versus Late Closure of Loop Ileostomy. Hindawi Surgery Research and Practice. 2020.

15. Theodor Junginger, Ursula Gonner, Tong T. Trinh, Andre ́Lollert, Katja Oberholzer, Manfred Berres. Permanent Stoma After Low Anterior Resection for Rectal Cancer. Dis Colon Rectum. 2010, Vols. 53: 1632–1639.

16. Paun BC, Cassie S, MacLean AR, Dixon E, Buie WD. Postoperative complications following surgery for rectal cancer. Ann Surg. 2010;251(5):807-818

17. Portier G, Ghouti L, Kirzin S, Guimbaud R, Rives M, Lazorthes F. Oncological outcome of ultra-low coloanal anastomosis with and without intersphincteric resection for low rectal adenocarcinoma. Br J Surg. 2007;94(3):341-345.

18. Shin US, Kim CW, Yu CS, Kim JC. Delayed anastomotic leakage following sphincter-preserving surgery for rectal cancer. Int J Color Dis. 2010;25(7):843-849.

19. Gastinger I, Marusch F, Steinert R, Wolff S, Koeckerling F, Lippert H. Protective defunctioning stoma in low anterior resection for rectal carcinoma. Br J Surg. 2005;92(9):1137-1142.

20. Bakx R, Busch ORC, Bemelman WA, Veldink GJ, Slors JFM, Van Lanschot JJB. Morbidity of temporary loop ileostomies. Dig Surg. 2004;21(4):277-281.

21. C-T Germer, C Isbert. Quality of life after rectal cancer surgery, Chirurg. 2009 Apr;80(4):316-23.

22. Alexander D.Croes, James M.Loniea, Alexandra F.Trollope, Venkat N.Vangaveti, Yik-HongHob. A meta-analysis of the prevalence of Low Anterior Resection Syndrome and systematic review of risk factors. International Journal of Surgery, Volume 56, August 2018, Pages 234-241

23. Keane, C.; Wells, C.; O'Grady, G.; Bissett, I.P. Defining Low Anterior Resection Syndrome: A systematic review of the literature. Colorectal Disease, (2017).

24. Theresa H Nguyen , Reena V Chokshi. Low Anterior Resection Syndrome. Curr Gastroenterol Rep, 2020 Aug 4;22(10):48.

25. Lim SW, Kim HJ, Kim CH, Huh JW, Kim YJ, Kim HR. Risk factors for permanent stoma after low anterior resection for rectal cancer. Langenbecks Arch Surg. 2013;398(2):259-264
Publicado
2022-12-09
Como Citar
FONSECA, Telma et al. ILEOSTOMIA DE PROTEÇÃO NA CIRURGIA ONCOLÓGICA DO RETO: A EXPERIÊNCIA DE UM CENTRO DE REFERÊNCIA. Revista Portuguesa de Cirurgia, [S.l.], n. 53, p. 27-36, dec. 2022. ISSN 2183-1165. Disponível em: <https://revista.spcir.com/index.php/spcir/article/view/918>. Acesso em: 08 feb. 2023. doi: https://doi.org/10.34635/rpc.918.
Secção
Artigos Originais