COMPARAÇÃO DO BISAP, NLR E HAPS NA PREVISÃO DA GRAVIDADE NA PANCREATITE AGUDA, SEGUNDO A REVISÃO DE 20 12 DA CLASSIFICAÇÃO DE ATLANTA

  • Filipe Borges Serviço de Cirurgia, Hospital Garcia de Orta; Almada – Portugal; Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa – Portugal http://orcid.org/0000-0001-5529-2045
  • Joana Miranda Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa – Portugal
  • Sofia Silva Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa – Portugal
  • Nuno Carvalho Serviço de Cirurgia, Hospital Garcia de Orta; Almada – Portugal; Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa – Portugal
  • Paulo Matos Costa Serviço de Cirurgia, Hospital Garcia de Orta; Almada – Portugal; Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa – Portugal http://orcid.org/0000-0002-7550-8285

Resumo

Introdução. A estratificação precoce do risco é essencial na Pancreatite Aguda (PA). O BedSide Index for Severity in Acute Pancreatitis (BISAP) permite estratificar o risco na admissão hospitalar através da análise de cinco variáveis. Vários marcadores inflamatórios demonstraram valor prognóstico na PA. Entre eles, a razão Neutrófilos / Leucócitos (NLR) possui a melhor capacidade preditiva. O Harmless Acute Pancreatitis Score (HAPS) é utilizado para a previsão de formas ligeiras de PA. o objectivo deste trabalho é comparar o BISAP, NLR e o HAPS na previsão da gravidade na PA.


Material e Métodos. Análise retrospectiva de seis anos (Janeiro 2014 – Dezembro 2019) de base de dados prospectiva de todos os doentes consecutivos internados com o diagnóstico de PA. Variáveis incluídas: idade, sexo, score BISAP, NLR, score HAPS, duração de internamento, gravidade e mortalidade. A gravidade foi avaliada de acordo com critérios de Atlanta revistos em 2012. A capacidade preditiva foi avaliada pela área sob a curva (AUC) ROC, tendo sido determinados também o valor preditivo positivo (VPP) e o valor preditivo negativo (VPN), sensibilidade e especificidade.


Resultados. Amostra de 284 doentes consecutivos; 121 homens e 163 mulheres; mediana de idade de 71 anos [21 – 95]. 216 doentes apresentaram PA Ligeira, 34 Moderada e 34 Grave; mortalidade global de 4.2%. O BISAP apresentou para a predição de gravidade uma AUC de 0,86 [0,796 – 0,936], Sensibilidade de 44.1% e Especificidade de 93.2%. O VPP foi de 68.2% e o VPN de 92.8%. O NLR apresentou uma AUC de 0,7 [0,607 – 0,798], Sensibilidade de 78.8% e Especificidade de 51.8%. O VPP foi de 78.8% e o VPN de 94.8%. Por fim, o HAPS apresentou para a predição de forma ligeira de PA uma AUC de 0,706 [0,623 – 0,790], Sensibilidade de 60.6% e Especificidade de 72.1%. O VPP foi de 87.3% e o VPN de 36.6%.


Discussão / Conclusão. O BISAP, o NLR e o HAPS apresentaram-se como ferramentas úteis na estratificação e avaliação precoces do risco e prognóstico na PA, tendo o BISAP apresentado a maior capacidade preditiva entre três. 

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Publicado
2021-01-20
Como Citar
BORGES, Filipe et al. COMPARAÇÃO DO BISAP, NLR E HAPS NA PREVISÃO DA GRAVIDADE NA PANCREATITE AGUDA, SEGUNDO A REVISÃO DE 20 12 DA CLASSIFICAÇÃO DE ATLANTA. Revista Portuguesa de Cirurgia, [S.l.], n. 49, p. 42-47, jan. 2021. ISSN 2183-1165. Disponível em: <https://revista.spcir.com/index.php/spcir/article/view/850>. Acesso em: 03 mar. 2021. doi: https://doi.org/10.34635/rpc.850.
Secção
Artigos Originais