Caracterização da Formação Específica em Cirurgia Geral em 2015 – A visão dos Internos

  • Cláudia Neves Marques Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR
  • Octavio Viveiros Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR http://orcid.org/0000-0002-2802-0199
  • Filipe Madeira Martins Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR
  • Patrícia Amaral Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR
  • Marta Costa Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR
  • Inês Gil Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR
  • Florentina Menezes Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR
  • Pedro Moreira Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR
  • Nuno Muralha Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR
  • Sofia Azeredo Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa

Resumo

Introdução: A formação específica em Cirurgia Geral tem aumentado em complexidade, principalmente devido à difusão da laparoscopia. A Comissão de Internos em Formação Específica em Cirurgia Geral, Capítulo da Sociedade Portuguesa de Cirurgia (CIFECG-SPCir), teve o objetivo de caraterizar a população nacional de Internos da especialidade de Cirurgia Geral em 2015 e avaliar a sua formação específica. Métodos: Foi realizado um questionário, confidencial e anónimo, com 40 perguntas enviado por email com submissão automática após o preenchimento. Para análise estatística foi utilizado o software SPSS Statistics for Windows®, Version 21.0. Resultados e Discussão: Foram contactados 183 Internos e obtidas 105 respostas (57,4% de adesão). A amostra é maioritariamente feminina, com idade média de 29 anos, solteira e sem filhos. A maioria dos Internos desempenha 56 a 85 horas/ semanais de serviço hospitalar devido aos turnos de urgência, com prejuízo do seu tempo de estudo. Frequentam anualmente cursos e congressos maioritariamente autofinanciados. A produção de trabalho científico difere geograficamente com Internos mais envolvidos em projetos de investigação no norte do país. A maioria dos serviços está organizada em unidades funcionais, de estrutura variávele sem condicionar o maior número de cirurgias ou a maior realização de laparoscopia. A generalidade dos Internos tem pelo menos dois dias de bloco operatório/semana, operando mais frequentemente como Cirurgião na cirurgia programada do que em urgência. A laparoscopia é quase totalmente realizada pelos Assistentes e escolhida em menos de metade dos procedimentos. A maioria dos Internos participa na consulta externa de forma autónoma. Vinte e quatro horas semanais de urgência é o mais frequente entre os Internos. É mais provável cumprir os objetivos propostos na Portaria nº 48/2011, de 26 de janeiro num internato em hospital distrital. A noção de estar à altura das suas exigências futuras está diretamente relacionada com o número de cirurgias realizadas e não com as horas de estudo ou urgência. Conclusão: Existe uma grande variabilidade na formação em Cirurgia Geral nacional. Há necessidade de alterar a estrutura da avaliação e formação específica de maneira a ir ao encontro das novas expetativas do Interno e da sociedade.

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Biografias Autor

Cláudia Neves Marques, Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR

Médica Interna de Formação Específica de Cirurgia Geral – Hospital Vila Franca de Xira

Octavio Viveiros, Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR

Médico Interno de Formação Específica de Cirurgia Geral – Centro Hospitalar Lisboa Central

Filipe Madeira Martins, Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR

Médico Interno de Formação Específica de Cirurgia Geral – Hospital da Horta, Serviço de Cirurgia 1

Patrícia Amaral, Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR

Médico Interno de Formação Específica de Cirurgia Geral – Centro Hospitalar Lisboa Central

Marta Costa, Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR

Médica Interna de Formação Específica de Cirurgia Geral – Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Serviço de Cirurgia B

Inês Gil, Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR

Médica Interna de Formação Específica de Cirurgia Geral – Centro Hospitalar de Leiria, Serviço de Cirurgia 1

Florentina Menezes, Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR

Médica Interna de Formação Específica de Cirurgia Geral – Hospital Central do Funchal

Pedro Moreira, Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR

Médico Interno de Formação Específica de Cirurgia Geral – Centro Hospitalar do Porto

Nuno Muralha, Comissão de Internos de Formação Específica em Cirurgia Geral da SPCIR

Médico Interno de Formação Específica de Cirurgia Geral – Centro Hospitalar de S. João

Sofia Azeredo, Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa

Investigadora CEDOC – Saúde Pública, Epidemiologia e Bioestatística –Centro de Estudos de Doenças Crónicas da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa – CEDOC/FCM-UNL

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Publicado
2017-10-10
Como Citar
MARQUES, Cláudia Neves et al. Caracterização da Formação Específica em Cirurgia Geral em 2015 – A visão dos Internos. Revista Portuguesa de Cirurgia, [S.l.], n. 41, p. 13 - 27, out. 2017. ISSN 2183-1165. Disponível em: <https://revista.spcir.com/index.php/spcir/article/view/566>. Acesso em: 22 nov. 2019.
Secção
Artigos Originais