ÍNDICE DE RESPOSTA INFLAMATÓRIA SISTÉMICA COMO FATOR PROGNÓSTICO EM DOENTES COM ADENOCARCINOMA DO PÂNCREAS METASTIZADO

Resumo

INTRODUÇÃO 


O adenocarcinoma do pâncreas (PDAC) apresenta-se como um tumor sólido com prognóstico extremamente desfavorável, tendo uma sobrevida global (OS) aos 5 anos de aproximadamente 5%. Na doença metastizada, os esquemas de quimioterapia (QT) aprovados em primeira linha são variados, maioritariamente à base de platino ou gemcitabina. O índice de resposta inflamatória sistémica (SIRI) consiste num score calculado com base nos rácios neutrófilos/linfócitos (NLR) e monócitos/linfócitos (MLR), com valor prognóstico demonstrado em diversos tipos de neoplasias sólidas. Estudos prévios sugerem que valores elevados de SIRI estão associados a piores outcomes em doentes com PDAC metastizado, contudo os valores de cut-off descritos na literatura são variados. 


OBJETIVOS 


Esta análise retrospetiva pretende avaliar a população de doentes com PDAC metastizado tratados num serviço de Oncologia Médica em relação às suas características clinico-demográficas e validar o valor prognóstico de SIRI de acordo com um valor de cut-off calculado. 


MATERIAL E MÉTODOS 


Análise retrospetiva de todos os doentes com o diagnóstico de PDAC estadio IV (AJCC 8th ed.) tratados com QT em contexto paliativo, seguidos num serviço de Oncologia Médica entre 1 de Janeiro de 2016 e 31 de Março de 2020. A análise de sobrevivência foi efetuada usando o método de Kaplan-Meier e a regressão de Cox. O valor de SIRI foi determinado através da fórmula NLR*MLR, tendo sido obtido o valor de cut-off através da análise de curva ROC. 


RESULTADOS 


Foram identificados no total 71 doentes com as características referidas. Nesta amostra, o número de doentes do sexo masculino e feminino encontra-se representado na mesma proporção, 50,7% (n=36) e 49,3% (n=35) respetivamente, com uma mediana de idade de 71 anos (34- 88). 73,2% (n=52) dos doentes apresentava um ECOG performance status (PS) inicial entre 0 e 1. Relativamente a QT de primeira linha, 69% (n=49) dos doentes realizou um esquema à base de gemcitabina e 29,5% (n=21) cumpriu QT à base de platino. A mediana de follow-up foi de 6,7 meses, com uma mediana de OS de 8,12 meses (IC 95% 5,91-10,33). Estratificando de acordo com o valor de cut-off obtido por curva ROC de 1,34, a OS mediana no grupo com SIRI < 1,34 foi de 18,54 meses versus 3,32 meses no grupo com SIRI ≥ 1,34 (HR 0,26; IC 95% 0,15-0,46; p<0,0001). Em análise multivariada, o valor de SIRI mostrou-se ainda um fator de prognóstico independente do tipo de QT de primeira linha e ECOG PS (HR 0,28; p<0,0001). 


DISCUSSÃO 


A identificação de biomarcadores no sangue periférico com potencial valor prognóstico tem-se tornado um foco de investigação, sobretudo marcadores associados a resposta inflamatória sistémica. Neste estudo retrospetivo, valores de SIRI ≥ 1,34 pré-tratamento associam-se a uma OS significativamente inferior, independentemente dos citotóxicos utilizados em primeira linha e do ECOG PS inicial. 


CONCLUSÕES 


De acordo com estes resultados, e em concordância com estudos prévios, o valor de SIRI constitui um fator prognóstico em doentes com PDAC metastizado, podendo futuramente integrar um score prognóstico com validade clínica. 

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Publicado
2021-01-20
Como Citar
DÂMASO, Sara et al. ÍNDICE DE RESPOSTA INFLAMATÓRIA SISTÉMICA COMO FATOR PROGNÓSTICO EM DOENTES COM ADENOCARCINOMA DO PÂNCREAS METASTIZADO. Revista Portuguesa de Cirurgia, [S.l.], n. 49, p. 101-102, jan. 2021. ISSN 2183-1165. Disponível em: <https://revista.spcir.com/index.php/spcir/article/view/870>. Acesso em: 03 mar. 2021. doi: https://doi.org/10.34635/rpc.870.