Tratamento de sinus perineal persistente, após amputação abdominoperineal do recto, com retalho muscular pediculado do recto interno

  • Rui Branco Serviço de Cirurgia II Hospital Santa Maria – CHLN - Portugal
  • Décio Ferreira Serviço de Cirurgia Plástica Hospital Santa Maria – CHLN - Portugal
  • Carlos M. Miranda Serviço de Cirurgia II Hospital Santa Maria – CHLN - Portugal
  • Luís M. Miranda Serviço de Cirurgia II Hospital Santa Maria – CHLN - Portugal
  • João M. Coutinho Serviço de Cirurgia II Hospital Santa Maria – CHLN - Portugal

Resumo

Introdução: Após uma amputação abdómino-perineal do recto, a infeção da loca perineal é uma complicação observada em 7 a 47% dos casos, sendo a sua incidência maior quando associada ao tratamento da doença inflamatória intestinal. A persistência da loca perineal observa-se em 3 a 69 % dos casos. Existem vários fatores etiológicos relacionados com esta complicação, sendo a radioterapia pré-operatória o mais importante. Têm sido descritas várias técnicas, que utilizando retalhos musculares conseguem criar condições para o encerramento dos sinus perineais persistentes, sendo o retalho muscular do recto interno da coxa (gracilis) uma técnica simples e com bons resultados.

Caso clínico: Doente do sexo masculino, de 66 anos de idade, com neoplasia do recto com envolvimento do canal anal até à linha pectínea, status pós rádio e quimioterapia neo-adjuvante, e amputação abdómino-perineal em novembro de 2007. No pós-operatório apresenta seroma infetado da loca perineal, que foi drenado e que resultou num sinus perineal persistente, pelo que lhe foi proposto o encerramento do sinus perineal, com retalho do músculo recto interno, que iremos descrever.

Comentários: A utilização do retalho muscular pediculado do recto interno da coxa é uma boa opção no tratamento do sinus perineal persistente. Pode ser realizado por cirurgiões gerais com bons resultados.

Palavras-chave: Amputação abdómino-perineal do recto, sinus perineal persistente, retalho muscular gracilis. 

Downloads

Dados de Download não estão ainda disponíveis.

Referências

1. Miles, W.E., A method of performing abdomino-perineal excision for carcinoma of the rectum and of the terminal portion of the pelvic colon (1908). CA Cancer J Clin, 1971. 21(6): p. 361-4.

2. Meyer, L., et al., Perineal wound closure after abdomino-perineal excision of the rectum. Tech Coloproctol, 2004. 8 Suppl 1: p. s230-4.

3. Ferrari, B.T. and L. DenBesten, The prevention and treatment of the persistent perineal sinus. World J Surg, 1980. 4(2): p. 167-72.

4. Lees, V. and W.G. Everett, Management of the chronic perineal sinus: not a problem to sit on. Ann R Coll Surg Engl, 1991. 73(1): p. 58-63.

5. Christian, C.K., et al., Risk factors for perineal wound complications following abdominoperineal resection. Dis Colon Rectum, 2005. 48(1): p. 43-8.

6. Manjoney, D.L., M.J. Koplewitz, and J.S. Abrams, Factors influencing perineal wound healing after proctectomy. Am J Surg, 1983. 145(1): p. 183-9.

7. Baird, W.L., et al., Management of perineal wounds following abdominoperineal resection with inferior gluteal flaps. Arch Surg, 1990. 125(11): p. 1486-9.

8. Wiatrek, R.L., J.S. Thomas, and H.T. Papaconstantinou, Perineal wound complications after abdominoperineal resection. Clin Colon Rectal Surg, 2008. 21(1): p. 76-85.

9. Ogilvie, J.W. and R. Ricciardi, Complications of perineal surgery. Clin Colon Rectal Surg, 2009. 22(1): p. 51-9.

10. Lohsiriwat, V., Persistent perineal sinus: incidence, pathogenesis, risk factors, and management. Surg Today, 2009. 39(3): p. 189-93.

11. Del Pino, A. and H. Abcarian, The difficult perineal wound. Surg Clin North Am, 1997. 77(1): p. 155-74.

12. Artioukh, D.Y., R.A. Smith, and K. Gokul, Risk factors for impaired healing of the perineal wound after abdominoperineal resection of rectum for carcinoma. Colorectal Dis, 2007. 9(4): p. 362-7.

13. Menon, A., et al., Pedicled flaps in the treatment of nonhealing perineal wounds. Colorectal Dis, 2005. 7(5): p. 441-4.

14. Goligher JD, D.H., Nixon HH, Surgery of the Anus, Rectum and Colon. 5o ed. 1984.

15. Anthony, J.P. and S.J. Mathes, The recalcitrant perineal wound after rectal extirpation. Applications of muscle flap closure. Arch Surg, 1990. 125(10): p. 1371-6; discussion 1376-7.

16. Fucini, C., et al., Quality of life among five-year survivors after treatment for very low rectal cancer with or without a permanent abdominal stoma.
Ann Surg Oncol, 2008. 15(4): p. 1099-106.

17. Petrie, N., et al., Reconstruction of the perineum following anorectal cancer excision. Int J Colorectal Dis, 2009. 24(1): p. 97-104.

18. Borel Rinkes, I.H. and T. Wiggers, Gracilis muscle flap in the treatment of persistent, infected pelvic necrosis. Eur J Surg, 1999. 165(4): p. 390-1.

19. Bernardi, C. and M. Pescatori, Reconstructive perineoplasty in the management of non-healing wounds after anorectal surgery. Tech Coloproctol,
2001. 5(1): p. 27-32.

20. Pemberton, J.H., How to treat the persistent perineal sinus after rectal excision. Colorectal Dis, 2003. 5(5): p. 486-9.

21. Galandiuk, S., et al., The use of tissue flaps as an adjunct to pelvic surgery. Am J Surg, 2005. 190(2): p. 186-90.

22. Kaminski, M., M. Sippel, and A. Hirner, [Persistent perineal sinus closure after rectal extirpation-an alternative using bulbocavernosus fat flaps].
Chirurg, 2004. 75(6): p. 627-30.
Como Citar
BRANCO, Rui et al. Tratamento de sinus perineal persistente, após amputação abdominoperineal do recto, com retalho muscular pediculado do recto interno. Revista Portuguesa de Cirurgia, [S.l.], n. 28, p. 33-39, mar. 2014. ISSN 2183-1165. Disponível em: <https://revista.spcir.com/index.php/spcir/article/view/358>. Acesso em: 23 oct. 2020.
Secção
Passos Técnicos