Dos marcadores em cirurgia geral

  • Carlos Costa Almeida Director de Serviço (Cirurgia C) do CHUC – Hospital Geral, Professor da Faculdade de Medicina de Coimbra, Portugal

Resumo

Tecem-se alguma considerações sobre marcadores sensu lato – substâncias ou situações no organismo, relacionadas com uma determinada entidade nosológica e que chamam a atenção para ela ou ajudam ao seu diagnóstico e avaliação – e a importância que devem ter em cirurgia geral. Frequentemente o seu uso é restringido aos marcadores biológicos, sobretudo relacionados com tumores, mas há muito mais do que isso. Um exemplo marcante é o índice de pressão tornozelo/braço (ITB), com o significado de isquémia dos membros inferiores mas também um marcador de doença aterosclerótica, seja onde for a sua localização, já sintomática ou ainda não, e que é, para além disso, um factor preditivo independente de mortalidade cardiovascular: o risco é tanto maior quanto menor for o seu valor. A sua medição de rotina em doentes cirúrgicos com risco aterosclerótico é, pois, um acto médico que pode concorrer de modo muito importante para se tomarem medidas que ajudem o doente a suportar a nossa intervenção cirúrgica nas melhores condições de segurança. Outro exemplo importante é a trombose venosa, seja superficial seja profunda (tromboembolismo venoso, TEV), como marcador tumoral. Qualquer uma delas pode anteceder as manifestações específicas da doença oncológica. Ao mesmo tempo, alguns cancros constituem um factor trombótico relevante, sendo nesses casos o TEV, para além de marcador, um factor de pior prognóstico oncológico, o que implica um cuidado redobrado com a sua profilaxia, logo após o diagnóstico e não apenas pré-operatória e, por maioria de razão, quando presentes os biomarcadores trombóticos já identificados em patologia oncológica. Quanto aos biomarcadores tumorais, os mais vulgarmente utilizados são elencados, por grupos, de acordo com a sua natureza. É útil o seu uso, mas não se deve confundir o que gostaríamos que os biomarcadores fossem com aquilo que realmente são. Ressalvando algumas características individuais, sobretudo no que respeita a volume de tumor, prognóstico, orientação de tratamento e previsão do seu resultado, o que os biomarcadores tumorais consistentemente nos dão é informação sobre o resultado imediato do tratamento e, no follow-up, o conhecimento precoce da ocorrência de recidiva ou de metastização tardia. Devem ser utilizados como referência para o futuro e, por isso, logo após o diagnóstico de um tumor, e antes de qualquer tratamento, é absolutamente mandatório fazer a avaliação quantitativa dos biomarcadores com ele habitualmente relacionados.


Palavras-chave: Marcador, Tumor, Cancro, Aterosclerose, Trombose venosa, Índice de pressão tornozelo-braço, Cirurgia Geral

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Como Citar
ALMEIDA, Carlos Costa. Dos marcadores em cirurgia geral. Revista Portuguesa de Cirurgia, [S.l.], n. 26, p. 31-36, jan. 2014. ISSN 2183-1165. Disponível em: <https://revista.spcir.com/index.php/spcir/article/view/318>. Acesso em: 22 nov. 2019.
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