O impacto do conceito de Gânglio Sentinela na sobrevivência livre de doença e global e na recorrência axilar de doentes com Cancro da Mama

  • José Luis Fougo Serviço de Oncologia Cirúrgica , Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, Centro do Porto, Portugal
  • Mário Dinis-Ribeiro Serviço de Oncologia Cirúrgica e de Gastroenterologia, Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, Centro do Porto, CINTESIS, Departamento de Bioestatistica, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
  • Teresa Dias Serviço de Oncologia Cirúrgica , Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, Centro do Porto, Portugal
  • Fernando Castro Serviço de Oncologia Cirúrgica , Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, Centro do Porto, Portugal
  • Paulo Reis Serviço de Oncologia Cirúrgica , Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, Centro do Porto, Portugal
  • Laurinda Giesteira Serviço de Oncologia Cirúrgica , Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, Centro do Porto, Portugal
  • Cláudia Araújo Serviço de Oncologia Cirúrgica , Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, Centro do Porto, Portugal

Resumo

Introdução e objectivos: O Conceito de Gânglio Sentinela (GS) emergiu como uma forma de melhorar o estadiamento de doentes com Cancro da Mama (CM) e de reduzir a morbilidade do Esvaziamento Axilar (EA). Mas a influência do Conceito de GS nos re- sultados do tratamento do CM, a longo prazo, não está bem definida. O objectivo deste trabalho é avaliar o impacto do conceito de GS na sobrevivência global e livre de doença, assim como na recorrência axilar, numa série controlada e prospectiva de doentes com CM.

Métodos: Esta revisão inclui 394 doentes consecutivos com CM, que participaram em dois ensaios randomizados sucessivos. O primeiro (n=166) decorreu de abril de 2001 a junho de 2003 e o segundo (n=228) de setembro de 2003 a janeiro de 2005. O primeiro estudo incluiu doentes com tumores de tamanho igual ou inferior a 30mm, pN0sn, que foram randomizados entre GS e EA. O segundo estudo foi dividido em dois grupos. O grupo A recebeu doentes uT1; os doentes pN0sn foram poupados ao EA e os doentes pN+sn foram submetidos a EA. O Grupo B recebeu os doentes uT2; os doentes pN0sn foram randomizados entre GS e EA. Os doentes foram acompanhados na consulta externa, a cada 3 meses nos primeiros 3 anos, depois a cada 6 meses até perfazer 5 anos e, depois, anualmente. Os eventos foram registados prospectivamente numa base de dados institucional.

Resultados: A idade mediana foi de 55 anos (variação: 20-78). O tempo mediano de acompanhamento foi de 66 meses (variação: 4-100). Foram incluídos dois homens. A sobrevivência global (SG) média para o grupo GS foi de 98 meses e para o grupo EA foi de 93 meses (p=0.003). A sobrevivência livre de recorrência (SLD) para o grupo GS foi de 97 meses e para o grupo EA foi de 99 meses (p=0.43). Aos cinco anos, a SG para o grupo GS foi de 98% e para o grupo EA foi de 92%; a SLD para o grupo GS foi de 99% e para o grupo EA foi de 100%. Não foram detectadas recorrências ganglionares axilares em ambos os grupos.

Conclusões: O seguimento de longa duração de doentes com CM submetidos apenas a biópsia de GS mostrou resultados semelhantes aos dos doentes submetidos a EA, relativamente à SG, SLD e recorrência axilar. Deste modo, fica assegurado que o conceito de GS é adequado e duradouro.

Palavras-Chave: Cancro da Mama, Gânglio Sentinela, Seguimento de Longa Duração.

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Como Citar
FOUGO, José Luis et al. O impacto do conceito de Gânglio Sentinela na sobrevivência livre de doença e global e na recorrência axilar de doentes com Cancro da Mama. Revista Portuguesa de Cirurgia, [S.l.], n. 24, p. 9-17, mar. 2013. ISSN 2183-1165. Disponível em: <https://revista.spcir.com/index.php/spcir/article/view/14>. Acesso em: 22 nov. 2019.
Secção
Artigos Originais